Poucas palavras assustam tanto o paciente vascular quanto "safena".

Muita gente ouve que tem problema na safena e pensa imediatamente: "vou perder uma veia importante?". Mas a realidade é mais técnica e precisa do que isso.

A safena é uma veia superficial importante dos membros inferiores. Ela pode ser útil em algumas cirurgias, como pontes vasculares, mas também pode se tornar uma fonte de refluxo venoso quando suas válvulas deixam de funcionar adequadamente.

O que significa refluxo na safena?

As veias das pernas têm válvulas que ajudam o sangue a subir em direção ao coração. Quando essas válvulas falham, o sangue pode refluir, ou seja, voltar no sentido contrário. Esse refluxo aumenta a pressão nas veias superficiais e pode contribuir para varizes, dor, peso, inchaço e progressão da doença venosa.

Diretrizes internacionais da Society for Vascular Surgery, American Venous Forum e American Vein and Lymphatic Society tratam o refluxo venoso superficial e a avaliação por duplex ultrasound como parte central da decisão terapêutica em pacientes com varizes dos membros inferiores.

Toda safena com alteração precisa ser tratada?

Não necessariamente.

A decisão depende de vários fatores:

  • Sintomas do paciente
  • Grau de refluxo
  • Diâmetro da veia
  • Relação com as varizes visíveis
  • Histórico clínico
  • Presença de alterações na pele
  • Resultado do Doppler vascular
  • Objetivo do tratamento

Por isso, o Doppler é decisivo. Ele permite mapear o refluxo, avaliar o calibre da safena e entender se ela realmente participa do problema.

Quais são as opções de tratamento?

Quando há indicação, o tratamento pode envolver técnicas como:

Endolaser

Técnica minimamente invasiva que utiliza energia térmica para fechar a veia doente por dentro.

Radiofrequência

Também utiliza energia térmica para fechamento da veia.

Espuma ecoguiada

Pode ser usada em casos selecionados, especialmente quando o médico entende que essa é a melhor estratégia para aquele paciente.

Cirurgia convencional

Ainda pode ter indicação em situações específicas, embora técnicas endovenosas sejam amplamente utilizadas atualmente.

Atualizado pela NICE

A NICE (National Institute for Health and Care Excellence — agência britânica de referência em diretrizes médicas) recomenda uma sequência de tratamento para varizes com refluxo troncular, priorizando ablação endotérmica quando apropriada, seguida de espuma guiada por ultrassom se a primeira opção não for adequada, e cirurgia se as opções anteriores não forem adequadas.

Então por que não tratar sempre?

Porque medicina vascular não deve ser automática.

Tratar uma safena sem entender o contexto pode ser excesso. Não tratar uma safena realmente comprometida também pode limitar o resultado. A decisão correta está no equilíbrio entre diagnóstico, sintomas, anatomia venosa e objetivo do paciente.

O ponto principal

Safena comprometida não é uma sentença. É um achado que precisa ser interpretado.

O paciente não deve sair da consulta apenas sabendo "tenho problema na safena". Ele precisa entender:

  • O que isso significa
  • Se isso explica seus sintomas
  • Se precisa tratar agora
  • Quais técnicas fazem sentido
  • Qual resultado é esperado

A melhor decisão começa com uma avaliação bem feita.

Diagnóstico primeiro. Técnica depois.

— Dr. Renato Larciprete

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Referências

  1. Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, American Vein and Lymphatic Society. 2023 Clinical Practice Guidelines on the Management of Varicose Veins. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders. Disponível em: jvsvenous.org
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management — Treatments (CG168). Disponível em: nice.org.uk/guidance/cg168/treatments
  3. Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Consenso no Tratamento da Insuficiência Venosa Crônica de Membros Inferiores. Disponível em: sbacv.org.br/consenso-insuficiencia-venosa-cronica

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui consulta médica, exame físico ou avaliação especializada. As condutas descritas devem ser sempre individualizadas pelo profissional responsável após análise clínica completa.